A RUA DE MINHA INFÂNCIA
Tenho boas recordações da Rua
General Osório. Era nela que moravam meus pais quando eu nasci. Também moravam
meus padrinhos na casa ao lado e meus avós na mesma quadra. Era uma rua
particularmente bela, pois tinha canteiros com árvores em parte de sua extensão
o que dividia o sentido viário da mesma, tornando–a uma rua calma no que se
refere ao trânsito, principalmente, porque naquele tempo, o trânsito não fosse
a loucura de hoje.
Quando
morávamos ainda naquela rua nasceu meu irmão a quem eu amava e queria brincar como
se fosse um brinquedo de verdade.
É uma rua
central que se estende desde a zona norte até a zona sul. Minha avó morou
quarenta anos lá. Era uma rua basicamente residencial, porém isso mudou e hoje é
uma rua essencialmente comercial. Intensificou-se isso depois que os canteiros
foram arrancados, a rua asfaltada devido ao grande fluxo de veículos.
A duas
quadras da rua general Osório fica a Catedral Metropolitana São Francisco de Paula
um dos mais belos templos pintados pelo pintor italiano Aldo Locatelli que fez este
trabalho em algumas poucas igrejas do
Brasil.
Nesta rua
tenho algumas lembranças pessoais relevantes, meu primeiro namorado, o primeiro
beijo, lembranças leves. Outras mais pesadas, pois foi nesta rua meu primeiro
contato com a morte. Nesta rua partiram definitivamente, meu avô Paulino e minha
amada vó Mariana.
Hoje o comércio
é intenso, com todo tipo de comércio varejista, lojas pequenas e grandes.
Em uma
extensão de umas três quadras conhecíamos todos os moradores e as crianças e
adolescentes se reuniam em casa de um ou outro para conversar, ouvir música, estudar,
se divertir.
Tenho um
carinho muito grande por esta rua onde fui criança, cresci, fui adolescente e
adulta. Lembro do tempo que nela passavam charretes e cortejos fúnebres puxados
à cavalo, com três parelhas deles e cobertos por veludo se o falecido fosse
abastado. Hoje, ela é trajeto de ônibus e as charretes não mais existem. Há assaltos,
acidentes e as pessoas não colocam mais cadeiras na calçada para conversar com
os vizinhos.
Minhas recordações permanecem na memória
como algo muito especial do passado que ficaram naquela rua linda e pacata que
não mais existe.
Isabel C S
Vargas
Pelotas/RS/Brasil
18.O7.2O15
Nenhum comentário:
Postar um comentário