Mostrando postagens com marcador POSTAGEM DESTACADA PEAPAZ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POSTAGEM DESTACADA PEAPAZ. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de março de 2015

POSTAGEM DESTACADA PEAPAZ

         
               Na época atual tudo se processa de uma maneira muito rápida. Os meios de comunicação transformaram o mundo em uma aldeia na qual se sabe instantaneamente os acontecimentos do outro lado do planeta. As novidades surgem e logo são suplantadas por outras numa grande velocidade. Tudo é imediato, consumível, descartável.
            As relações humanas também foram extremamente influenciadas pela modernidade. Os relacionamentos parecem efêmeros.
Muitos jovens casam com a perspectiva de separação, se não der certo. Ambos são facilmente assimilados e possíveis de acontecerem sem traumas. É evidente que são casos fáceis de serem encontrados, porém não é possível generalizar.
  Os sentimentos passaram a ter esta característica de transitoriedade, como qualquer objeto de consumo. Fugaz. Descartável. Facilmente substituído.
Parece que todos estão numa eterna busca por algo novo, atual.
Assim é a regra do jogo. Se não agem assim estão por fora, desatualizados.
            Se um jovem (e até os não tão jovens, os mais maduros, diria) lesse um livro como O Amor nos tempos do cólera de G. G. Márquez não chegaria ao término e certamente o acharia uma loucura. Numa época de relacionamentos tão instantâneos, alguém permanecer amando outra pessoa por mais de cinqüenta anos, para só então ficarem juntos, pode parecer coisa de doido, ou ficção já que a realidade é de muito desamor e violência.
            Hoje a vida, as relações mudaram muito em comparação às décadas passadas.  Como em qualquer situação, se ganha em alguns aspectos, perde-se em outros.
Pode ocorrer que a mudança, em algumas situações seja apenas quanto à apresentação, à forma, ao aspecto exterior, sendo a essência mantida.
A época atual caracteriza-se pelo “amor urgente”. Todos têm pressa e um pouco de medo, como se o trem fosse passar e temessem nele não embarcar. Tudo é executado com à imagem de uma estrela cadente. Surge inesperadamente, causa um encantamento momentâneo e logo se desfaz, vira um nada, sem perspectiva e sem futuro. Dá até para duvidar se realmente aconteceu.
            É necessário perceber que os sentimentos precisam de solo fértil e tempo para desabrocharem e se desenvolverem. A semente mal plantada pode não vingar. É uma promessa que não se concretiza.
É necessário paciência, observação, tempo para se conhecer, tempo para amar, pois só se ama aquilo que se conhece se admira e / ou que tem o poder de “encantar e seduzir”.
Concluindo as manifestações do amor e a maneira como a relação se processa podem estar diferentes, mas parece que a busca desenfreada pelo amor, pela companhia, pela felicidade é a mesma.
                                          Isabel C S Vargas
                                          RS/Brasil

domingo, 1 de março de 2015

POSTAGEM DESTACADA/ NINHOS





                 Aposentos especiais, tecidos por seres amorosos para abrigar preciosidades.
                Pessoas, sonhos, conquistas, lembranças. Local onde amadurecem esperanças desenvolvem-se aprendizados que possibilitam cada habitante, um dia empreender sua jornada pessoal e outro ninho formar em um ciclo interminável.
         A princípio é tudo muito ralo. Sem consistência material. O que existe em abundância não se quantifica por peso nem por valor monetário. O patrimônio é imaterial: O desejo de construção conjunta. Dois seres frágeis começam a tecer o casulo que abrigará os rebentos que se transformarão em coloridas borboletas, capaz de alegrar por sua simples existência, extasiar pela fragilidade ou pelo encantamento do bater de suas asas.
Tudo é novo e significativo. O ninho se forma com uma infinidade de pequeninas coisas amalgamadas na vivência que se constituirá em um repositório de ensinamentos capaz de fortalecer cada um dos seres nos momentos de tempestade.
            Já vi ninhos de uma fragilidade exterior espantosa, porém aconchegante como útero materno. Entretanto observei outros que pela suntuosidade os tornou intocáveis e gélidos.  Outros cujas frestas criadas pelas rachaduras da intolerância, do desamor
 e da violência possibilitaram a fuga daqueles que se sentiram sufocados onde deveriam se sentir acolhidos.
            Ninhos verdadeiros são lugares de alegria, sorriso fácil, leveza, de ajuntamento espontâneo. Lugar de parada e de permanência. Porto seguro nas intempéries emocionais ou físicas.
            Eles tem sentido pelo que transmitem sem palavras – ou com elas também- mas muito pelas sensações como toque suave de mão, o prazer de um leito macio, o cheiro de fruta madura, o alimento preparado com doçura.
            Traduzem-se no descanso de um banho quente, em uma música relaxante, no relato dos momentos vividos.
            Para mães, o ninho se completa no barulho da chave na fechadura e no mais sonoro e maravilhoso som que se pode ouvir. Mãe cheguei.
            Quando estes componentes obrigatórios desaparecem os ninhos deixam de existir e ao invés de serem âncoras que seguram nos vendavais passam a ser lugares onde os que ficaram viram fantasmas de si mesmo indecisos entre abrir a porta e fugir ou trancar-se, numa vã tentativa de não ver o tempo passar.

                                                                        Isabel C S Vargas
                                                                        Pelotas/RS/Brasil               



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

POSTAGEM DESTACADA PEAPAZ /RAZÕES PARA ESCREVER

           Em épocas passadas as pessoas escreviam e, em geral guardavam seus escritos sem mostrá-los ao público, salvo, é claro aqueles que escreviam por profissão, jornalistas, colunistas e aqueles que se entregavam à aventura editorial em busca de sucesso e o conseguiam.
          O mercado era mais restrito, mais seletivo, inatingível para os simples mortais que desejavam se expressar, sem necessariamente ser um Drummond ou um Vinícius ou outros baluartes da escrita nacional.
       Com o advento da internet, a princípio menos democrática em função dos preços, das reservas iniciais e posteriormente democratizadas em quase todo globo, qualquer mortal que tenha um razoável domínio do idioma passou a se expressar com mais facilidade. É o estudante, a adolescente que outrora escondia seus escritos, o profissional, o mais extrovertido e até o mais tímido, pela ausência do contato físico, ousaram se pronunciar, simplesmente colocando na tela seus pensamentos, sem forma definida, até aqueles que de forma mais elaborada criaram páginas virtuais como forma de divulgar seus trabalhos com cunho mais literário. A palavra ganhou mundo com celeridade incrível. Professores, jornalistas, escritores começaram a publicar via internet. Criaram-se redes sociais dando amplitude a tudo e a todos.
     Aqueles que tinham o propósito de alavancar uma carreira investiram suas forças neste intento e podemos dizer que conseguiram.
      Colocar-se na rede e divulgar suas ideias tornou-se fácil. Muitos conseguem retorno financeiro, enquanto outros se sentem felizes pela simples possibilidade de não precisar investir o que não tem e serem lidos, comentados e seguidos,
   Para estes foi à realização de sonhos podendo através do meio virtual conseguir publicar livros a preços mais módicos e tornarem-se escritores.
Quais seriam as razões que levam as pessoas a escrever? Exibicionismo? Desejo de fama?
Vocação, meio de ganhar a vida para aqueles que fizeram disso profissão?
Meu argumento é outro.
       Quem escreve o faz por um desejo interior que se sobressai a qualquer outro fator. Poderia se denominar vocação.
Há aquele que já leu muito, que mergulhou em universo de fantasia, paixão, criatividade. Essa expansão de ideias, sonhos o levou a criar suas próprias histórias. Essa ideia vem desde A. Schopenhauer.
            Creio que quem escreve e, aí não importa o gênero é aquele que deseja doar um pouco de si. Através dessa doação, permanecerá um pouco em quem o ler e em que ele tocar o coração. Sim, escrever para mim é conseguir tocar o coração das pessoas. Um desejo escondido, ou não, de imortalidade. Permanecer vivo dentro de cada um que for cativado. Daí, sua alma revelada se propagará como cauda de cometa que uma vez vislumbrada jamais será esquecida.
            Desejo de identificação vem embutido nesta ideia de atingir pessoas, generosidade se inclui por dar caminhos mágicos para aqueles que sofrem esquecerem as tristezas e ver um mundo diferente, mais belo, ou não, através de realidades diversas que mostrarão outros paradigmas fazendo com que possa ocorrer outra resposta do interlocutor.
            Sempre será produtiva a interação entre escritor e leitor, pois até quando não há identificação, há um posicionamento, questionamentos, ou, simplesmente se constituir em um produtivo momento de leitura.
             Creio, acima de tudo, que o escrever se constitui em um processo de autoconhecimento advindo disto uma resposta extremamente positiva para quem escreve. Pode se constituir em um processo de catarse, que também é válido. Aquele que escreve é alguém que se desnuda diante de si mesmo e do leitor. Alguém nu, sem subterfúgios, portanto, sem armadilhas, confiável, espelho para o outro que souber olhar com atenção e respeito.
                     Isabel C S Vargas
                    Pelotas/RS/BRASIL
           







POSTAGEM DESTACADA PEAPAZ/ BRUTUS E SUA HISTÓRIA

             Brutus é um cão da raça boxer, pelagem marrom, focinho já embranquecido pelo tempo e pela dor, talvez. Dócil, amigo, companheiro. Vivia com sua companheira e mais um cão de pequeno porte, com a família que os criava. Marido, mulher e uma filha de quem era muito companheiro.
            Mudaram de casa. A fêmea ficou prenhe. A vida seguia com normalidade, até que certa noite, enquanto seus donos descansavam a fêmea entrou em trabalho de parto que não foi percebido.
            Ao amanhecer a dolorosa constatação. A fêmea estava morta, os filhotes não conseguiram nascer.
            Tristeza infinita da família.
            Dor insuportável para Brutus que ficou muito tempo a chorar junto ao local onde vivia com sua companheira. Não comia. Emagreceu. Definhava. Então, fugiu do local.
            Foi neste estado deplorável que o encontramos.
            O adotamos de imediato e passamos a dar-lhe não só alimento, mas atenção, carinho, alegria, aliados a higiene e medicamentos, pois em determinada ocasião o levamos às pressas ao veterinário porque acreditávamos que não sobreviveria. Procuramos suprir suas necessidades, ao mesmo tempo em que procurávamos por seus antigos donos, perguntando na vizinhança, indo aos estabelecimentos comerciais. Tudo em vão.
            Exatamente um ano depois, quando minha filha passeava com ele, para sua surpresa aparece seu antigo dono. Contou-lhe sua história. Num primeiro momento, o temor de que desejasse levá-lo.
            Para sua surpresa a pessoa contou-lhe que já sabia que ele estava conosco. Havia sabido por alguém que tem um quiosque na praia e o informara que em nossa casa havia um cão como o seu. Ele veio, mas não nos encontrou.  Viu Brutus e que ele estava bem. Ficaram temerosos que se retornasse para o antigo lar, passasse a não comer como antes. Decidiram deixá-lo conosco. Isto foi no inverno.
            Só soubemos disto dia 31, último dia do ano.
            Ficamos todos em choque por saber de sua história sofrida
            Creio que conosco, com o carinho recebido, com os risos e brinquedos de criança à sua volta e o nosso pequeno e ciumento Spike a dividir com ele as atenções, ele encontrou uma nova razão de viver. E nós, mais razão para amá-lo.
                                      Isabel C S Vargas
                                 PELOTAS/RS/BRASIL