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quinta-feira, 27 de julho de 2017

MEU TEXTO EM OS MAIS BELOS CONTOS DE AMOR









Isabel Cristina Silva Vargas

Pelotas / RS


Mistérios da noite

Rita é jovem, bonita, mora sozinha há oito anos. Trabalha, tem seu carro, anda por todo lugar sem temor, principalmente durante o dia.
Além do trabalho, realiza várias atividades em grupos com a finalidade de auxiliar as pessoas carentes. Nesta tarefa, geralmente andam em grupos de casais e de jovens, todos misturados a fim de evitar perigos, pois levam alimentos para os moradores de rua e recolhem pessoas que usam drogas e que desejam se internar por vontade própria.

Dedica-se a fazer o bem às pessoas e aos animais. Sempre carrega no carro, ração, para aqueles que encontra famintos pela rua.

Geralmente, costuma dizer ao conhecer uma pessoa nova com que não simpatiza, que seu santo não combinou com o da referida pessoa. Sempre atribui os acontecimentos a uma ligação divina, superior.

Certa ocasião, deveria viajar bem cedo na manhã seguinte e, como estava próximo à rodoviária, resolveu passar lá para comprar a passagem, embora, seu costume seja fazê-lo pela internet. Resolveu ganhar tempo.

O local de estacionamento dos veículos no entorno, fica ao lado de um campo e dependendo da quantidade de carros, pode estar meio deserto.

Era por volta das 23 horas. Estacionou e tão logo saiu do carro viu um homem que lhe pareceu suspeito. Assustou-se. Com rapidez, afastou-se dali, atravessou a rua, subiu a rampa e foi ao local de emissão de passagens que ficava do outro lado do prédio. Fez o que devia e retornou ao local pensando no indivíduo que tinha visto. Não havia guardas, os taxistas eram mais distantes.

Aproximou-se do carro e percebeu que o pneu do carro estava furado. Parou. Olhou ao redor e mais adiante o mesmo homem. Se ela fosse até o carro e passasse para o lado do motorista ficaria mais perto dele. De imediato, seu pensamento foi para Deus, em quem sempre encontra amparo.

Como em resposta ao seu pedido interior surge a seu lado um cão. Olha para ela e fica a seu lado. Ela afaga sua cabeça e diz a ele. Não sai de perto de mim. Ele parecia entender.

Ela pega o celular e liga para o pai relatando o que estava acontecendo e pedindo que ele viesse socorrê-la. O pai diz que ela procure ir para dentro do prédio da estação e que não desligasse o telefone. Ela começa a fazer a volta, lentamente. O homem dá alguns passos e chama a atenção do cão. Daquele momento em diante ele não mais parou de latir para o indivíduo que a ameaçava, e só se acalmou quando seu pai chegou e foi ao seu encontro.

Ela agradecida, abraçou o cão e o agradeceu, justificando que morava em um apartamento pequeno e que não poderia levá-lo com ela.

Ao contar, em família o ocorrido, o tio logo disse: E tu achas que era só um cão que estava ali?

Quando ela se mudou adotou um filhote de rua, que estava para adoção.

Fico pensando nas diversas formas que os anjos podem se apresentar para os humanos.

Penso em mim mesma, que se não fosse pelos meus cães, teria medo de morar na praia, sozinha, já que sempre vivi cercada de pessoas. São eles que me dão força.

Coisas que não se explicam. Ou nós que não percebemos as explicações que podem estar diante de nós.

http://www.camarabrasileira.com.br/bca17-004.html

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

MEU TEXTO EM OS MAIS BELOS CONTOS DE AMOR

 Isabel Cristina Silva Vargas 
Pelotas / RS



                                                             O vestido vermelho






Ana Lúcia é a filha do meio de um casal de posses residentes no sul. Sendo a única mulher poder-se-ia pensar ser muito mimada. Era frágil, clarinha, cabelos loiros, levemente ondulados. Os irmãos eram dois garotos altos e fortes. Enchiam os olhos. Ela mais tímida, mais quieta. Logo nos primeiros anos de vida nela manifestou-se a asma brônquica. Um grande sofrimento seguiu-se, anos após ano. Quando tinha as crises, parecia que ia morrer de tanta falta de ar. Corria para o quintal subia nas árvores com se desejasse voar e ter mais ar ao seu alcance.

A família morava em uma casa imensa, com piscina, pátio, todo conforto concebível nos anos sessenta. Isso não significava que Ana Lúcia tivesse uma vida mais feliz pelo conforto e posses do pai. Sim, o dinheiro era dele, de família e de seu trabalho. Era arquiteto, empresário bem - sucedido e a mãe professora. Por não ter vivido com facilidade, a mãe não sabia viver dando coisas em excesso e nem sabia ser carinhosa, amorosa e compreensiva. Era exigente. Disciplinadora e fazia-os viverem como se fosse na época da sua infância e adolescência.

Resumindo, eram ricos, mas os filhos não desfrutavam de nada a não ser o conforto da casa e da boa escola.

A menina foi crescendo revoltada, pelo sofrimento da doença e por não entender o modo como viviam. Certa vez ao levar umas colegas em casa, as mesmas não acreditavam que ali fosse sua casa. Acreditavam que era filha da empregada, pelo modo simples como sempre se vestira. Só após entrarem e conversarem com a família certificaram-se do engano.

Moravam na capital e não no interior como os pais e assim ninguém a ligava a alguém com fortuna.

Sua bronquite foi melhorar com medicamentos levados do interior pela madrinha, bem na adolescência, época que a mãe começo a insistir para que ela fosse apresentada à sociedade metropolitana nos famosos bailes de debutantes.

Ela sempre fora aquilo que no interior e no linguajar popular costuma-se denominar água sem sal, insossa, sem vontade própria, “fincou pé” e não havia o que a demovesse da decisão de não ir.

Depois de muita conversa, ofertas, concessões ela, finalmente, concordou em ir desde que fosse com um vestido da cor que ela desejasse e não o branco convencional.

Aceita a proposta pela família, começaram os preparativos a ida a um famoso costureiro da capital, provas da roupa, e tudo que se faz para uma ocasião destas. Só a mãe sabia da cor do vestido, os demais não.

Chegado o dia do baile, o pai quase teve um colapso cardíaco ao ver a entrada deslumbrante e triunfal no salão da primeira debutante da noite, pois era procedida a chamada por ordem alfabética. Levantou-se orgulhoso e feliz, deu-lhe o braço e com ela em um magnífico vestido vermelho, no qual parecia uma rainha, tudo que ela não fora durante sua existência, até aquela data, desfilou com ela pelo braço, radiante, sorridente e desinibida fazendo sua apresentação à sociedade.

A menina frágil desapareceu a partir daquela noite. Formou-se em direito, advoga, casou-se, tem filhos e é uma mulher feliz, forte e determinada. O que lhe faltava era autoestima.

A coragem de impor sua vontade e ser aceita, associada ao poder transmitido pelo vermelho, assegurando sua determinação de ser ela mesma, sem se importar se era a única, deram-lhe força para buscar a realização de seus desejos.

<http://www.camarabrasileira.com.br/bca16-019.html