sábado, 12 de novembro de 2016

TEXTO 211/2016/ CRÔNICA DE NATAL

                                                 CRÔNICA DE NATAL
O Natal ao longo da vida vai tendo significados diferentes, de acordo com a nossa fase u idade.
De minha infância não tenho muitas lembranças da data em si, mas recordo dos brinquedos que tinha, do carinho de meus padrinhos e primos comigo.
Quando na adolescência, tinha consciência das dificuldades financeiras e de que na data teríamos uma pequena lembrança, meus irmãos e eu.
Não me detinha na parte religiosa da festa.
A noite de Natal era sempre um momento da família. Quando comecei a namorar meu marido, juntávamos todos na casa de meus sogros. Nesta época ia na missa na noite de Natal bem como depois de casada e com filhos.
O momento de troca de presentes era o auge da festa, pois procurei compensar com
meus filhos tudo que me faltou no que se refere a brinquedos e ao consumo em geral.
Passaram-se os anos e comecei, sem saber precisar a época exata, a ter um sentimento diferente com relação à data. Sentia-me insatisfeita, achando tudo uma coisa muito comercial.
No ano de 2007 decidi não comprar presentes para ninguém. Queria fazer uma experiência e provar que poderíamos ser felizes sem presentes, sem gastos enormes.
Uns dez dias antes do Natal fui em uma confraternização com umas amigas e não levei presentes. Para ser sincera, nem me dei conta de levar. Pensava ser mais um encontro.
Ganhei presentes de todas. Fiquei meio encabulada.  Externei meu pensamento sobre o que pretendia fazer na família.  Uma delas me disse: - Não faça isso. Vais te arrepender. A verdade é que no dia seguinte saí a comprar presentes para todos, já que ela dizia me conhecer muito bem. E, na realidade conhece, mas naquela ocasião devia ter ouvido minha intuição ou sexto sentido pois foi um natal de muita dor. Dia 24 por volta das 23 horas, minha mãe morria em uma UTI de hospital vítima de um infarto que sofrera na noite anterior. Os presentes, só foram entregues meses depois.
Depois deste NATAL outro pior foi o primeiro, após o falecimento de meu filho.
Pensei que o mundo havia acabado para mim, mas encontramos força, nos erguemos e seguimos em frente para cumprir a missão a nós destinada.
Moro sozinha, mas não sou só. Tenho minhas filhas e meus netos que nasceram depois dos acontecimentos dolorosos relatados acima, mas não sem antes ter outra dura provação, a perda de meu marido com uma doença contraída após a morte de meu filho.
Hoje tenho cinco netos e por eles comemoramos o Natal com alegria, unidos, com fé que nossos entes queridos vivem em outro plano e um dia nos encontraremos.  Celebramos o amor em Cristo que veio pregar a paz e a grandeza dos homens e da natureza.
A esperança é nossa companheira, cientes que nada morre, tudo se transforma, conforme os ciclos da natureza.
                       Morrer é renascer para a vida eterna.
                           Isabel C S Vargas
                           Pelotas/RS/Brasil
                           10.11.2016

  






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