sábado, 9 de abril de 2016

TEXTO 81/2016/ ANTOLOGIA 78/A DAMA DE VERMELHO/PROSA POÉTICA

                                    A DAMA DE VERMELHO (PROSA POÉTICA)
                             
Magistral figura à espera do momento imaginado em delirantes sonhos.
Luxuosas vestes em um personagem teatral. Vermelho! Todo poder de uma grande dama a viver perigosos momentos, só compreendidos pela excitante paixão. Ou, por ela determinados. Vestiu sua pele de cetim com estrelas fulgurantes só ofuscadas pelo brilho de seu olhar.
Colo desnudo como sua alma para viver tão esperado momento. Partiria com seu herói tão desejado, deixando tudo no passado. Sua paixão se consumaria.
Ela, no centro de seu teatro particular vestira-se como requeria o derradeiro momento.
Seu tesouro imaginado, a paixão mais intensa, o sol eu iluminaria seu caminho viria busca-la. Só os dois importavam. O receberia em seu melhor estilo.
Estava a viver os momentos finais naquele cenário requintado. Logo, acariciaria seu rosto ao invés das peles que a adornavam.
As cortinas se fechariam. O futuro começaria.

Isabel C S Vargas

07.04.2016

TEXTO 80/2016/ ANTOLOGIA 78/ O VESTIDO VERMELHO/ CONTO

                                                
                       O VESTIDO VERMELHO 

                               
                                 
Ana Lúcia é a filha do meio de um casal de posses residentes no sul. Sendo a única mulher   poder-se-ia pensar ser muito mimada. Era frágil, clarinha, cabelos loiros, levemente ondulados. Os irmãos eram dois garotos altos e fortes. Enchiam os olhos. Ela mais tímida, mais quieta. Logo nos primeiros anos de vida nela manifestou-se a asma brônquica. Um grande sofrimento seguiu-se, anos após ano. Quando tinha as crises, parecia que ia morrer de tanta falta de ar. Corria para o quintal subia nas árvores com se desejasse voar e ter mais ar ao seu alcance.
A família morava em uma casa imensa, com piscina, pátio, todo conforto concebível nos anos sessenta. Isso não significava que Ana Lúcia tivesse uma vida mais feliz pelo conforto e posses do pai. Sim, o dinheiro era dele, de família e de seu trabalho. Era arquiteto, empresário bem- suscedido e a mãe professora. Por não ter vivido com facilidade, a mãe não sabia viver dando coisas em excesso e nem sabia ser carinhosa, amorosa e compreensiva. Era exigente. Disciplinadora e fazia-os viverem como se fosse na época da sua infância e adolescência.
Resumindo, eram ricos, mas os filhos não desfrutavam de nada a não ser o conforto da casa e da boa escola.
A menina foi crescendo revoltada, pelo sofrimento da doença e por não entender o modo como viviam. Certa vez ao levar umas colegas em casa, as mesmas não acreditavam que ali fosse sua casa. Acreditavam que era filha da empregada, pelo modo simples como sempre se vestira. Só após entrarem e conversarem com a família certificaram-se do engano.
 Moravam na capital e não no interior como os pais e assim ninguém a ligava a alguém com fortuna.
       Sua bronquite foi melhorar com medicamentos levados do interior pela madrinha, bem na adolescência, época que a mãe começo a insistir para que ela fosse apresentada à sociedade metropolitana nos famosos bailes de debutantes.
     Ela sempre fora aquilo que no interior e no linguajar popular costuma-se denominar água sem sal, insossa, sem vontade própria, “fincou pé” e não havia o que a demovesse da decisão de não ir.
   Depois de muita conversa, ofertas, concessões ela, finalmente, concordou em ir desde que fosse com um vestido da cor que ela desejasse e não o branco convencional.
Aceita a proposta pela família, começaram os preparativos a ida a um famoso costureiro da capital, provas da roupa, e tudo que se faz para uma ocasião destas. Só a mãe sabia da cor do vestido, os demais não.
Chegado o dia do baile, o pai quase teve um colapso cardíaco ao ver a entrada deslumbrante e triunfal no salão da primeira debutante da noite, pois era procedida a chamada por ordem alfabética. Levantou-se orgulhoso e feliz, deu-lhe o braço e com ela em um magnífico vestido vermelho, no qual parecia uma rainha, tudo que ela não fora durante sua existência, até aquela data, desfilou com ela pelo braço, radiante, sorridente e desinibida fazendo sua apresentação à sociedade.
A menina frágil desapareceu a partir daquela noite. Formou-se em direito, advoga, casou-se, tem filhos e é uma mulher feliz, forte e determinada. O que lhe faltava era autoestima.
A coragem de impor sua vontade e ser aceita, associada ao poder transmitido pelo vermelho, assegurando sua determinação de ser ela mesma, sem se importar se era a única, deram-lhe força para buscar a realização de seus desejos.
                                                     Isabel C S Vargas
                                                     Pelotas/RS/Brasil
                                                         06.04.2016






TEXTO 79/2016/ANTOLOGIA 78 / O VERMELHO E SUAS IMPLICAÇÕES EM MINHA VIDA/(CRÔNICA

                        O VERMELHO E SUAS IMPLICAÇÕES EM MINHA VIDA (CRÔNICA)
                             


        Nunca tive predileção pela cor vermelha. Durante anos acreditei que minha cor preferida, o verde, se devia ao fato de gostar muito de campo, da natureza, até que descobri que minha paixão era o mar.
       O vermelho parecia-me intenso, inquietante vulgar. Como sou uma pessoa mais calma acredito que me identifico mais com essa cor menos inquietante, e com um componente mais frio.
       Em minha juventude o vermelho era associado aos partidos políticos de esquerda, comunista, socialista o que já me bastava para me distanciar o mais possível desta cor. Vivíamos em uma ditadura. Os meios universitários eram conturbados. Cautela era necessária.
      Em momentos importantes de minha vida, tais como aniversários de meus filhos, casamentos, formaturas, outros eventos jamais usei vermelho. Acreditava que em nada combinava comigo.
    O vermelho está associado à paixão, excitação, energia, poder, guerra, perigo e violência. Tudo que eu queria longe de mim.
    Isso tudo me assustava. Tinha medo do que poderia ocorrer. Era de minha personalidade, ou, talvez, seja, manter controle de tudo para me sentir segura. Dominar a situação. No caso da paixão, “perder a cabeça” era algo que não passava pela minha.
    Minhas filhas frequentavam muitas festas. Não me recordo de o vermelho ser preferência em seus guarda-roupas, apenas no da mais nova, de quem me lembro de, apenas, dois vestidos, sendo um de gala, vermelho, bordado para uma ocasião especial. Mais tarde de um vestido vermelho de minha neta com saia plissada.
    Meu marido sempre sonhou em ter um automóvel vermelho. Nunca o tivemos. Eram todos em tons de cinza, prata, grafite e branco. Quando meu filho comprou com suas economias seu primeiro carro, zero km e pediu ao pai que fosse retirá-lo na chegada pois estaria dando aulas em outra cidade fiquei feliz por ele estar realizando um sonho através do filho.
   Não imaginávamos que aquilo que trazia aparente alegria viria s ser o vermelho sangue do perigo, da violência e da dor mais intensa de nossas vidas, mutilada desde a data fatal.
   Acredito que o não gostar poderia ser um pressentimento de mãe.

                                            Isabel C S Vargas
                                               Pelotas/RS/Brasil

                                                    06.04.2016

TEXTO 78/2016/ANTOLOGIA 78 /VERMELHO FOGO E PAIXÃO/POEMA

VERMELHO FOGO E PAIXÃO (POESIA)


Fogo, paixão, sedução.
Sentimentos que botam
Nas almas ardentes
Que, sem medo, se entregam.

Vermelho símbolo imagético das paixões,
Intensas, fortes, sem dissimulação.
Desencadeia ímpetos desconhecidos
Cuja efervescência ruboriza as próprias faces.

Mulher, dama, senhorita, jovem
Qual denominação não importa.
Usa vermelho, se enfeita, se expõe,
Mostra nas vestes o fulgor da paixão.

Sangue rubro lhe corre nas veias
Sem barreira, impedimento ou pudor
Por todo braseiro que no coração queima.
Resta consumir-se no fogo do encontro.

Encontro de almas que se buscam,
Mútuo pertencimento, entrega total
Quando seus olhos se encontram
E seus corpos se tocam.

Sangue efervescente, fogo abrasivo
Raios que explodem livres,
No encontro fugaz e profundo da paixão.
Isabel C S Vargas
Pelotas/RS/Brasil
06.04.2016


TEXTO 77/ CIRANDA /DESTEMIDO

Sem medo entrega-se ao amor,
Destino obrigatório de jovem sonhadora 
Quer quer beber o cálice por inteiro,
Sem esperar pelo amanhã .


Destemor próprio da juventude
Que não teme a transformação 
Vence as fases de mudança
E enfrenta o futuro com esperança.


Isabel C S Vargas
05.04.2016

TEXTO 76/2016 /CIRANDA /OLÁ

Olá. ..

Quanta saudade de tua presença  amiga,

Companhia indispensável  de todas as horas,
Conforto nas horas  tristes, 
Alegria intensa em todos os demais momentos.


Volta depressa! Não  me faça  esperar mais.

Teu sorriso será  a luz do amanhecer
Tuas mãos estendidas a ponte para a felicidade.
Que será presença contente em nosso viver.



    Isabel C S Vargas.
03.04.2016

OS CONFRADES DA POESIA BOLETIM 75 MARÇO E ABRIL 2016

UM AMOR PARA A ETERNIDADE

 Comunhão de almas identificadas 
Sem necessidade de aval ou fiança.
 O olhar garante de imediato
 A sintonia vibrante que os une. 

 Sem imaginar o mal ou ardil
 Entregam-se, amam-se, intensamente
. Amor de romance, laços indestrutíveis
 Cegos de paixão e ardor dantescos. 

 Entrega imediata apadrinhada pelos astros
 Consumada no fogo ardente do sentimento
 Inominado e indestrutível pelo homem
 Pois transcende ao físico, identificação sobrenatural.

 Pobres amantes crédulos e enganados
 Acreditaram-se acima de toda maldade
 Só queriam o amor eterno almejado, vivido 
Consumado, irrenunciável, infinito. 

 Inveja cega e desmedida capaz de horrores
 Eternizou o ódio em ato amaldiçoado
 Para quem o pratica sob os auspícios demoníacos

. Para todo sempre permaneceram amando-se
 A eternidade os elevou ao céu celestial
 Onde prevalecerá a união espiritual e o amor.

 Isabel C S Vargas - 
Pelotas/RS/Brasil