segunda-feira, 27 de março de 2017

MEU TEXTO EM "E AGORA, BOB ?" EDIÇÃO 2017/CONTOS

 Isabel Cristina Silva Vargas 
Pelotas / RS


Sem retorno à terra natal

           
Ele era jovem, bonito e saudável. Segundo filho de um casal do sul do Brasil. A mais velha, Lorena, ele, Eduardo e o caçula, Rodrigo. O pai era do exército. Família de classe média, viveram sempre no sul, em cidade de porte médio. Como era de esperar, Eduardo seguiu a profissão do pai e ingressou no exército. O incentivo era natural. Respeito, boa remuneração, segurança eram fatores que contribuíram para a escolha, além de agradar o genitor. Tempos de paz, contribuíram, também. Afinal, nenhum risco a temer.
Em certa ocasião o pai conseguiu uma transferência para outro estado.
Foi toda a família, inclusive Eduardo que também obteve transferência.
Lá ficaram cerca de dois anos. Eduardo voltou à cidade para rever familiares.
Visitou uma a uma cada família de tios, primos, primos em segundo grau. Estava feliz.
Vinha se despedir ia ser enviado com um contingente para a região amazônica com a finalidade de manutenção de fronteiras. Iriam enfrentar a mata, enfermidades típicas, acampamentos ilegais de garimpo, de madeireiros, e tribos indígenas de raro ou nenhum contato com o restante da população.
Todos ficaram felizes com a felicidade de Eduardo, mas uma ponta de preocupação existia em todos.
Voltou ao seu destino e de lá um mês depois seguiram na missão.
Uma das notícias que a família teve dele foi que o local era tão difícil, tão selvagem que eles tinham que andar amarrados uns aos outros para não se perderem na floresta fechada.
O que houve depois disso? Ninguém sabe.
Receberam um comunicado oficial, condecoração. Eduardo estava morto e seu corpo não fora encontrado.
Realmente, ele se despedira de toda a família antes da partida.
Aos pais a sensação de perda do filho em uma guerra cujos inimigos eles desconheciam a identidade.
Não tiveram um corpo para velar e enterrar, nunca souberam a história real.

MEU TEXTO EM 3º ANUÁRIO DA NOVA POESIA BRASILEIRA / EDIÇÃO 2017/CBJE

 Isabel Cristina Silva Vargas 
Pelotas / RS


Sou mulher

Fui criança, adolescente, jovem ciente
Que poderia ser o quisesse.
Minha mãe assim me criou.
A meu pai, que desejava direcionar
Meu futuro profissional,
Minha avó já dizia, categoricamente,
Em pouco mais da metade do século passado:
-Deixa a menina ser o que desejar!
Mulheres de grande sabedoria
Que conseguiram ser livres, mesmo casadas
E dentro de suas limitações financeiras.
Ser mulher é ser um universo,
Rótulos não cabem.
Diante de tanta diversidade e pluralidade,
Mulher é sempre ser em mutação,
Em caminhada constante e livre,
Rompendo grilhões,
Gritando com fervor,
Lutando por si e por todas,
Rompendo paradigmas
Orgulhosas de sua missão.
Ser mulher é ser múltipla:
Mulher, companheira,
Esposa, mãe, filha, avó,
Profissional de todas as áreas
E, com tantas tarefas
A vida é pura doação.

MEU TEXTO EM ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS 148

 Isabel Cristina Silva Vargas 
Pelotas / RS


Não te queixes

Confia nos desígnios superiores,
Ergue a cabeça e segue tua vida.
Refaz teus passos na direção dos sonhos,
Não desanime ante os percalços da vida.
Olha ao redor e encontrarás alguém
Mais desvalido e sofrido que tu.
Não te queixes pelo infortúnio,
Sempre há o que agradecer.
Os fortes enfrentam as dores.
O lamento não te dará sustento.
Busca alento em tua fortaleza interior,
Percorre teus labirintos até te encontrares.
Não te queixes de quem te feriu,
Ou de quem não te estendeu a mão.
Levanta-te! Sede exemplo a ser seguido.
Sede bússola a nortear o caminho alheio.
O fraco nunca é norte.
O corajoso não é o que não tem medo,
Mas aquele que supera as adversidades
E, encontra um novo caminho para a felicidade.


sexta-feira, 24 de março de 2017

TEXTO 44/2017/ SOBREVIVENTE

SOBREVIVENTE

Náufrago em minhas lágrimas,
Preso em redemoinho de emoções,
Debato-me com as tristezas.
Nado em direção as correntes de esperança,
Sigo a luz no túnel submerso,
Vejo a saída nas correntes de apoio
Que me levam a lugar seguro
Onde se encontram meus afetos,
Fazendo-me pisar na terra firme
Do amor que está em seus corações.

Isabel C S Vargas
Pelotas/RS/Brasil

23.03.2017

terça-feira, 21 de março de 2017

TEXTO 43/2017/CIRANDA/ SENSAÇÕES

Sensações

A vida é repleta de sensações
Desde a mais tenra idade.
Tranquilidade, aconchego, amparo
Deixam os bebês confortáveis.
Alívio, sossego acometem as mães
Quando os filhos estão bem.
Inquietação, é comum nos adolescentes.
Não estão acostumados com tantos fatos novos.
Sensação de ser amado proporciona aceitação,
Alegria, pertencimento, felicidade.
Esperança projeta as pessoas em futuro promissor.
Solidão, abandono, desamparo, ah! Esse é horrível
E, pode levar à morte aquele que a sente.

Isabel C S Vargas

Pelotas/RS/Brasil
22.03.2017

A POESIA/PEAPAZ/ TERTÚLIA POÉTICA VIVA A POESIA

A poesia habita qualquer coração
Mesmo o sem erudição
Com alma repleta de sabedoria
Capaz de ver estrelas nas nuvens.
A poesia dá vida a sonhos
Cria amores dantes impossíveis
Une seres desconhecidos
Forma uma corrente inquebrantável.
A poesia traz felicidade a muitos
Dá alegria aos entristecidos
Àqueles cuja esperança adormecera.
Ela devolve a vida aos desencantados.
A poesia sabe agregar homens e mulheres
Sabe tocar com doçura os corações
Fazer de cada ser mortal frente à vida
Um Deus imortal em cada verso .
Isabel C S Vargas
Pelotas/RS/Brasil