segunda-feira, 30 de março de 2015

PUBLICAÇÃO DESTACADA/ ENTRE AS NUVENS

Antes de vivermos, a vida é coisa nenhuma, mas é a nós que compete dar-lhe sentido, e o valor não é outra coisa senão o sentido que tivermos escolhido.
                                                                                                 J.P.Sartre

            Estou no avião que me traz de volta para casa. Minha visão é a de uma bela pintura feita por um artista.   Raios de sol refletindo-se em um céu azul no qual nuvens de algodão servem de almofadas para aparar sonhos, lembranças ou medos daqueles que confinados neste pássaro de ferro estão soltos no universo patrulhado por radares, computadores e toda parafernália que serve para facilitar a vida de todos, mas não garante a felicidade de ninguém.
            Vizinhos dos bancos atrás de mim estabelecem uma conversação amigável iniciada pelo costumeiro “de onde você vem? Quanto tempo vai permanecer? Que tipo de negócio trabalha?” e uma profusão de outras perguntas cujas respostas parecem formar elos que ao se interligarem dão sentido à vida de cada um. O que ouvi pareceu mais uma demonstração de poder, status, (embora o tom amigável) mostrando o quanto o “ter” parece superar o “ser” nos dias atuais, caracterizados pela fluidez no consumo e nas relações.
             Para passar o tempo, me distrair e me desligar da conversação alheia, abri um livro recém comprado, justamente com esta finalidade, ou seja, preencher lacunas, como a do tempo de voo.
            Logo no primeiro capítulo me deparo com perguntas tais como: De onde você veio? Do que se orgulha? Que família você formou?
            Minhas lembranças saltam - como os peixes que pulavam nas águas límpidas de Recife - de um passado distante e relembro a infância pobre - as dificuldades, a falta de perspectiva - transformada em semente e combustível de sonhos que foram realizados aos poucos.
            No segundo capítulo a autora fala do valor inestimável que é descobrir em meio às atribulações diárias uma lembrança carinhosa, reconfortante capaz de tornar o momento vivenciado mais doce.
            Imediatamente brotam de meu coração duas lembranças carinhosas: minha mãe e minha neta, lembranças estas que me fazem umedecer os olhos de lágrimas que não são percebidas por meu marido que ao meu lado, observa o imenso horizonte pela minúscula janela.
            A lembrança de minha mãe, a origem, o passado (presente eterno e inesquecível), a outra, minha neta (presente divino) o futuro, radioso, esperançoso refletido em seu maravilhoso sorriso.  Ligando as duas imagens a minha realidade, os meus filhos, meu orgulho.
             Junto estas lembranças à mensagem que encontrei no celular, momentos antes da partida, enviada por meu irmão pedindo notícias e me dou conta que apesar da distância do solo âncoras fortes me prendem ao solo e me sustentam e que onde quer que eu esteja os terei sempre comigo num elo indestrutível capaz de apagar qualquer aborrecimento do cotidiano.
             Fecho o livro para escrever. Deixo para continuar a leitura mais tarde.                            
                               Isabel C S Vargas
                               Pelotas/RS/Brasil




PUBLICAÇÃO DESTACADA/ PARADOXO

                Era o ano de 1986. Acabáramos de comprar a casa na praia. Sonho concretizado. Outros surgiram, posto que é importante ter sonhos sempre. Uma das primeiras providências: comprar uma muda de pinheiro. Menos de 10 centímetros aparecia fora do muro da frente, cuja altura era pequena (ainda é). Por que pinheiro? Explicação lógica não há. Apenas, o fato de gostar, talvez pela imponência ao se desenvolver, o que remete, de imediato, à força para enfrentar obstáculos sem se deixar abater. Quem sabe, pela idéia de longevidade, quase eternidade e, por conseqüência, segurança, estabilidade. Pode até a ordem ser inversa. Também nos proporciona a sensação de aconchego, proteção.
               Nos verões seus galhos dão sombra que refresca o que, sem dúvida, muito ele proporcionou quando descansávamos ou, apenas, sonhávamos na rede. Alegrava aos olhos e aos pássaros que por ali voavam.

                O pinheiro sempre nos traz a idéia de nascimento, natal, esperança, alegrias, riso de criança, luzes coloridas e felicidade. Para mim esta associação sempre foi inevitável, pois a aquisição da casa, o plantio do pinheiro coincidiu com a gravidez de meu filho caçula. Ambos cresceram fortes, lindos enlaçando a todos com seus braços. Ganhou anjo, estrela, luzes, enfeites vários para sinalizar o evento magno da cristandade e a alegria que deve ser para todos.
               Os anos passaram e ele adquiriu proporções imensas. Percebo que apesar de tudo de bom que foi proporcionado a todos, cada ser necessita de lugar próprio para desenvolver-se de modo a não influir negativamente no meio que o circunda. Problemas surgiram o que levou meu marido a mandar arrancá-lo para fazer algumas modificações. Com ele outras árvores, outras plantas.
           Sempre falo que é necessário mudar, não permanecer preso às coisas do passado, que é necessário exercitar o desapego dos bens materiais, mas não posso deixar de me sentir tocada por este acontecimento, por diversas razões. Arrancar o pinheiro é como arrancar a nós mesmos, arrancar nossas raízes que nos mantém presos a terra. A idéia de finitude se materializa. Talvez já não tenhamos mais tempo de ver outro pinheiro se desenvolver como este. Os nossos natais, antigamente tão alegres e cheios de surpresas, após a dolorosa perda que tivemos no último, não sei mais como serão.
Já estou a lamentar pelos pássaros que viviam à nossa volta, pelo beija-flor, visitante de honra da azálea e de outras flores, que perderão, assim como nós, o seu aconchego.
             Vejo a desconstrução à minha volta, rompimento com o passado, desmoronamento de territórios conhecidos (o que desestabiliza), mas não posso ignorar que é preciso desconstruir para criar novos sentidos e múltiplas possibilidades.
                                       Isabel C S Vargas
                                       Pelotas/RS/Brasil


domingo, 29 de março de 2015

CIRANDA PUBLICADA QUEM SABE


PARTICIPANTES

1- Clara da Costa
2- Dioni Fernandes Virtuoso
3- Cássia Vicente
4- Fred Albano
5- Rita Rocha
6- Mavi Lamas
7- Gutemberg Maciel
8- Maria de Fátima Delfina de Moraes
9- Humberto-Poeta
10- Cláudia Couto
11- José Renato Araújo
12- Zenaide Giovinazzo
13- Cel (Cecília Carvalho)
14- Maria Olga de Oliveira Lima
15- José Roberto Jun
16- Gildina Roriz
17- Helena Luna
18- Lêda Therezinha Rubin
19- Ary Franco ( O Poeta Descalço)
20- Clair Wilhelms
21- Nilza Stringhetta Rossi
22- Eline Santos
23- Osmarosman Aedo- 2.000 e(ainda) Nós
24- Vitória Lynn
25- Mifori
26- Eugénio de Sá
27- Carmo Vasconcelos
28- IS
abel C S Vargas
29- Gutemberg Maciel


QUEM SABE...
Clara da Costa

...depois daquele adeus,
a poesia fugiu dos seus olhos,
sentimentos desertos,
ela mergulhou no canto escuro da solidão...
quem sabe...quem sabe,
o amanhã traga a alegria de volta ao seu coração,
e tudo volte a ser um carnaval...


QUEM SABE...
Dioni Fernandes Virtuoso

É...Quem sabe...
Quem sabe a vida volte a ser linda,
como a lua cheia clareando a madrugada...
Quem sabe volte a ser como o sol
que aquece nosso dia, nosso coração...
Quem sabe...
Quem sabe a tristeza vá embora
e a alegria faça da minh' alma eterna morada...
Quem sabe...


QUEM SABE...
Cássia Vicente

...depois daquele não,
a poesia fugiu dos teus lábios,
não mais ouvi aqueles versos apaixonados,
se esconderam no canto escuro da desilusão,
quem sabe...quem sabe...
o amanhã traga as palavras de volta ao teu coração
e tudo volte a ser um carnaval...


Quem Sabe...
Fred Albano

Quem sabe
um dia o amor acabe
assim a poesia vai morrer
seremos almas perdidas
em um mundo em branco e preto


Quem Sabe...

Rita Rocha

Quem sabe o nosso sonho não acabou
O coração, apenas está dando um tempo
E de repente, ele volta à razão.
Pois a saudade já está fazendo incursão.

Quem sabe nossas almas já estejam unidas
Com o amor novamente se infiltrando.
Nossa vida não seria tão ressequida.

Embora os fatos não me deixem iludida
Cheia de esperança, eu estou lutando
Pra nunca... por você ser esquecida.


Quem sabe...
Mavi Lamas

Quem sabe, de longe me
fará escrever poemas nas madrugadas?
Quem me fará se eu tiver , perder...
Como já perdí a razão?
Quem me faz sentir mais bonita, mais humana?
Quem ocupa o espaço ao meu lado,
e é natural que ali continue?
Quem, senão meu benzinho
meus olhos alegrinhos ...
Meu bem, meu risco
meu doce amor?


QUEM SABE

Gutemberg Maciel

Aquela que sabe..., sabe
por ser ela a fonte do sentimento
sentido e inexplorado
começo não terminado
é quem sabe da importância
daquilo que foi e será..


QUEM SABE...
Maria de Fátima Delfina de Moraes

Minha ausencia fale ao teu coração...
Quem sabe o teu coração cale,
diante de minha paixão...
Quem sabe?


QUEM SABE...

Humberto - Poeta

Amarga é a infelicidade
de me ver sozinho aqui,
escravizado à saudade
que ainda sinto de ti!
Quem sabe voltes, querida,
e então lembrarás depois,
que ninguém se amou na vida
mais do que amamos nós dois!


Quem Sabe...
José Renato Araújo

É! Quem sabe, na brisa que chega do mar,
Vinda lá de longe afora...
Você venha com ela,
E pela porta adentro chegue agora...
E ouça sua voz dizer-me enfim,
Me abrace apertado...
Cheguei para acabar com essa tristeza,
Que parecia não ter mais fim...


QUEM SABE...
Zenaide Giovinazzo

Tínhamos uma vida
tranquila e amorosa,
os nossos ruídos
atravessavam paredes,
não existia tristeza
e muito menos, desilusão.
O ciúme atacou; de repente
veio a cruel inquietude,
a infeliz separação...
O Mundo dá muitos giros.
Quem sabe, volte a paixão!

SP/13/12/2011


QUEM SABE...
Cel (Cecília Carvalho)

...quem sabe a poesia voou
qual pássaro ferido partiu
e me deixou assim sem vida,
sentimentos adormecidos,
quem sabe nem sinta a solidão que vivo,
quem sabe amanhã seja outro dia,
e tudo volte a ser poesia...


QUEM SABE...

Maria Olga de Oliveira Lima

...após essa pausa louca
Em que a razão
Fez tão carentes nossos corações
E nossas bocas mais cheias de desejos,
Reatemos os dois
Para viver agora e depois...
Apenas o amor
Que explode apaixonado
Em nosso peito.


Quem Sabe...
José Roberto Jun

Quem sabe se eu aproximar-me de ti,
Abrir meu coração deixar a timidez de lado
E dizer-te com todas as letras que te amo:
Quem sabe se de repente tu também
Não venhas a apaixonar-se por mim!


Quem Sabe...

Gildina Roriz

Quem Sabe o amor e a alegria voltem
a reinar em minha vida!
Quem sabe eu aprenda a esquecer
esta ausência tão sofrida.

Quem sabe o amor
ressurja e aniquile a dor...
Quem sabe meu amanhã
aplauda o canto da minha alma sã !

Quem sabe ao ouvir falar de mim,
Seja você a lamentar do nosso amor o fim!


***QUEM SABE?

Helena Luna

Quem sabe, quem sabe,
O que o amanhã há de trazer?
Quem sabe muita alegria,
Talvez dor ou nostalgia
Venha bater, na verdade,
À minha porta bem tarde...
Tudo pode acontecer.


QUEM SABE
Lêda Therezinha Rubin

Quem sabe de você sou eu...
Pois deixou minha alma vazia.
Como foi sua partida, quem sabe...
Espero, também, o seu regresso um dia!


QUEM SABE...
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Amanhã me aceites de volta,
esquecendo nossa desavença,
aplacando infundadas revoltas
e que o amor a tudo isso vença!

FALANDO ELE MAIS ALTO!


QUEM SABE...
Clair Wilhelms

Quem sabe um dia, mesmo sem querer
Sem promessa, sem espera
O sol volte a brilhar de repente
A lua chegue tão linda , como em dia de lua cheia...
QUEM SABE... QUEM SABE...
Só o tempo pode dizer
Se amor chegará pra ficar
Ou quem sabe...
Deixemos ao acaso
QUEM SABE... QUEM SABE...


Quem sabe...

Nilza Stringhetta Rossi

Quem, nas noites de tempestade acalmou meus ânimos
Quem sabe sobre meus anseios entre os humanos
Quem sabe de meus tropeços pelas trilhas afora
Quem olvidou imaginar o que já senti e o que chorei sem saber para onde ir
Quem sabe... Alguém ainda possa me ouvir
Enquanto canto a melodia do pranto
Embriagada pelo vinho tinto
No que sinto em recinto aberto
Quando desperto em meu sonho alerta
A cada cadência desta poesia


Quem Sabe
Eline Santos

Caminhando no tempo
Quem sabe, encontre a minha paixão,
Que nasceu nos versos, lá no deserto,
Em total solidão.
No topo da vida,
Vestida com andrajos,
Viajando contente, fazendo canções.
Quem sabe... descubra,
A felicidade do amor verdadeiro,
Que beija minha boca, me deixa feliz,
Quem sabe?


QUEM SABE...
Osmarosman Aedo- 2.000 e (ainda) Nós

A alma não roube a matéria
E na intenção de elevarem-se ao limbo,
Não reanimem um' outra
Com menos pedaços de alguém?
QUEM SABE...
A cena dramaturgada,
Não compre ingressos para três
E ao final do espetáculo
Em que a mão é decapitada sem alma,
Os aplausos não ousem levantar-se
E uníssonos digam: BRAVO!!
Na outra intenção de roubar da matéria
Aquela alma? Quem sabe?


Quem Sabe...
Vitória Lynn

Se vivêssemos em um mundo melhor
Onde as pessoas tivessem mais amor pelo seu próximo
E pelas coisas belas que Deus criou
Talvez tudo não poderia ser bem diferente?
Quem sabe, em?


QUEM SABE
Mifori

Quem sabe amanhã será um novo dia
e voce volte a sorrir,
encontre a harmonia,
sem ninguém mais ferir,
apreciando o sol da alegria!


QUEM SABE...

Eugénio de Sá

Quem sabe se no fim deste caminho
que percorro em tropeços, como ébrio
está a vida a dizer-me que o destino
faz questão que eu acabe sozinho
tal lápide caída num triste cemitério


QUEM SABE...

Carmo Vasconcelos

Quem sabe...
Se a tristeza que surge-nos às vezes
da memória emergente em rebeldia,
pela vontade de enterrar revezes,
não pode transformar-se em alegria?...

Quem sabe...
A bênção de um rosado amor vindouro,
mesmo que isso impossível nos pareça,
não faz que o negro se revista d'ouro
e o bom destino esse milagre teça...

Quem sabe...
O futuro alquimista de surpresas
não vem iluminar o nosso breu
trazendo as velas da ventura acesas...

Quem sabe...

O frio de hoje amanhã será calor,
mudança que nos pode vir do céu
se de Deus merecermos esse amor...


Quem sabe...

Isabel C S Vargas

Fomos felizes por muito tempo
Acreditei em tuas palavras,
Teus gestos, tua dedicação.
Não deste valor aos meus sentimentos.
Brincaste de ser adulto.
Perdemos-nos...
Quem sabe quanto tempo será necessário
Para voltar a acreditar no amor.


QUEM SABE...

Gutemberg Maciel

...Um dia enxergarei
De modo convincente
Tudo que hoje reluto
Que o sentido identifique
E aí tenho por certo que,
Acolhendo o ser, me adeque ao dever ser...


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